sábado, 18 de agosto de 2012

Atafona: a eterna briga entre o homem e o mar

Quantas histórias estão guardadas na memória de quem viveu o Pontal de Atafona. Em uma época que a bela praia da Região Norte Fluminense era o destino mais procurado do Estado. Seria Atafona de tão belo encanto que o mar por ela se apaixonara e a levara para dentro de si? Assim já escreveu um poeta. E pode ser, não se sabe. O que se sabe é que a última construção que está de pé desde os tempos áureos do Pontal, em pouco tempo passará a viver no imaginário de quem a conheceu.
Só na memória estão guardados os romances vividos no Recanto do Amor, as aventuras no Bar Esteirinha, o Bar do Espanhol, o Palafitas do Ronaldo, a Sirilândia, o Posto de Gasolina Pontal, a Cooperativa dos pescadores, os casarões, a vila dos pescadores, o Bar de dona Lourdes Portuguesa, a Igrejinha de Nossa Senhora dos Navegantes (e quantas histórias das festas). Todas essas construções já foram encobertas pela areia fina da praia ou já foram engolidas pelas águas revoltas e douradas do mar de Atafona. O Prédio do Julinho, que era referência para se chegar ao Pontal, hoje não passa de concreto e ferragens retorcidas, encobertos pela areia da praia.

O mar já avançou cerca de 4Km na praia de Atafona. A população ia se deslocando para áreas mais distantes. Na década de 80, o Governo do Estado criou o Conjunto Habitacional Nossa Senhora dos Navegantes - CEHAB - e doou casas às famílias de pescadores que sofriam com o avanço do mar, em Atafona e na Ilha da Convivência. Outra medida foi o aterramento dá área onde hoje está localizada o bairro da Baixada, invadindo inclusive área de manguezal. Um embate entre o homem e o mar, onde o último sempre sai vencedor.
A única construção que não foi levada pelo mar ou encoberta pela fina areia do Pontal de Atafona é o galpão Praianinha, propriedade da família Aquino. Neste hangar ficava a lancha dos Aquino. Anos mais tarde, esse galpão passou a ser usado para fins comerciais, como bar. Vários comerciantes passaram pelo estabelecimento. O último foi Neivaldo Paes, 43, conhecido como Bambu.
Neivaldo frequentava o Pontal desde os 13 anos de idade. Há cerca de cinco anos e meio, ele veio para uma visita e não saiu mais dali. Em seu bar e residência no Pontal encontrou que estava procurando há tempos, em viagens por todo o país. "Eu viajava muito para encontrar lugares que não são nem parecidos com o Pontal. Aqui todos os momentos foram singulares, em companhia com a natureza e com os amigos", conta.
Segundo Neivaldo, a movimentação do rio e do mar é causada pelos movimentos de rotação e translação da Terra. "As cidades constroem diques para conter esta movimentação natural. Com a movimentação da Terra, o rio e o mar se deslocam também, modificando a geografia local, principalmente aqui na barra. Até pouco tempo era o rio que estava na minha porta hoje é o mar", acrescenta. Bambu tem certeza de que o mar vai derrubar o seu bar em pouco tempo. Está de mudança para uma casa que comprou na Ilha do Peçanha, vai continuar vivendo em harmonia com a natureza e com seu bar aos finais de semana.
Quando o mar levar a última construção que sobrevive ao seu avanço no Pontal, não dará somente o fim, não será o ponto final. Na realidade, ampliará a imaginação de muitos que não conseguirão visualizar a possibilidade de um dia ter havido construção humana naquela pequena faixa de areia entre o Rio Paraíba do Sul e Oceano Atlântico. Para as gerações vindouras, o belo Pontal de Atafona, que hoje enche de saudosismo os corações de quem o conheceu, poderá perpetuar como uma bela história, o Pontal de Atafona será para muitos a Atlântida Tropical.

Fonte: SJB online


Um comentário:

  1. Qual é a fonte das imagens ?
    e qual é o nome do autor da publicação ?

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