quarta-feira, 4 de julho de 2012

'Quem não cola, não sai da escola': é possível aprender colando?

Na expressão “Quem não cola não sai da escola”, muita gente tem boas ou más histórias para contar. Seja qual for o estilo do colador, profissional ou esporádico, esta é uma realidade vivida por estudantes de escolas ou universidades e até mesmo de candidatos a concursos públicos. Mas é possível aprender colando? Será que vale a pena?

A “espiadinha básica” não é de hoje, mas tem acompanhado as mudanças dos tempos modernos. Os avanços tecnológicos facilitaram o acesso à informação, e por isso, executar o comando Ctrl+c (copiar) + Ctrl+v (colar) se tornou pra lá de instigante.

A diagramadora Margarete Nunes Sales, 46 anos era uma coladeira do tipo profissional e se “armava” nos dias de prova. Hoje ela diz se arrepender das atitudes do tempo de infância que refletiram em sua vida, inclusive nos caminhos profissionais que tomou.

“Não gostava das matérias de decoreba, como história e geografia. Também costumava colar fórmulas de física e matemática. O professor poderia até pegar, mas a lógica só eu entendia. Teve uma vez que o professor de biologia me pegou colando e tirei zero na prova. Hoje em certos tipos de conversas, me sinto excluída por não saber sobre determinados assuntos gerais e históricos. Sempre gostei de português e a minha escolha profissional sempre esteve relacionado a texto. Já trabalhei como escrivã, revisora de texto e atualmente sou diagramadora”, contou a ex-coladeira.

Há quem acredita que “a cola não está relacionada com a incapacidade intelectual de cada um e que até os nerds colam”. A opinião é da profissional de Relações Públicas, Érica Viana de Souza, 26 anos.

“Eu era metida a certinha, até porque era muito cobrada em casa pela minha mãe. Tinha que ser a melhor e me destacar entre as demais e diante de tanta pressão já até fiquei doente por conta de nota. Em 2001, estava no primeiro ano do ensino médio, quando durante uma avaliação de física, deixei a cola embaixo da prova. Não gostava da matéria e se eu fosse mal perderia meu status. O professor tentou recolher a prova pelo horário, mas forcei pondo as mãos sobre a prova e ele deixou passar. Por fim, escondi a cola dentro da calculadora. Um sufoco.” Disse.

Para a estudante de jornalismo Cíntia Rocha Barreto, de 21 anos, a cola serve como um lembrete, que permite maior segurança em suas respostas.

“Na maioria das vezes que preparei cola, acabei não usando. Me preocupava tanto em colocar toda a informação necessária no pedaço pequeno de papel, que acabava aprendendo. Inclusive, essa matéria me denuncia.” Contou rindo a estudante.

Segundo a psicóloga Dr. Luciane Mina, colar não é o melhor caminho, já que se busca e obtém respostas prontas. Mas através de uma cola bem feita, é possível aprender colando.

“No processo de construção da cola deposita-se atenção, humor, tensão, entre outras emoções, que o aprendizado sai de forma fluída e as informações se tornam acessíveis a memória do indivíduo. Sugiro que tais emoções sejam aplicadas na dedicação ao estudo, assim evita-se constrangimentos, transtornos e a frustração de uma tentativa mal sucedida”, explicou.

Os tempos mudaram e o processo de construção da cola não ficou para trás. As cartolinas, os dicionários, o hidrocor e lápis de cor, entre tantos outros recursos manuais para desenvolver trabalhos acadêmicos cederam lugar para os sofisticados equipamentos de transparência e data-show. Quanto ao conteúdo, as velhas e pesadas enciclopédias, foram substituídas pela praticidade e demanda de informação que os sites de buscas tem a oferecer.

Entre vantagens e desvantagens dessa inevitável revolução tecnológica enfrentada no século XXI, ainda assim, sobrevive a maior biblioteca do interior do estado do Rio de Janeiro, situada em Campos, no Palácio da Cultura. Além dos 27 mil livros, a biblioteca abriga outras relíquias como edições antigas de jornais difíceis de serem encontradas. Em média, cerca de 300 pessoas, por semana, procuram a biblioteca, seja para ler jornais, fazer pesquisar de trabalhos ou estudar para concursos.

Segundo o diretor da biblioteca Mauricio Xexeu, o número é satisfatório diante das facilidades que as pessoas têm com a internet e revela o lado positivo que o livro traz para o conhecimento humano.

“Temos muitas riquezas na biblioteca, entre elas todos os clássicos brasileiros, como Machado de Assis, além de grandes nomes da região, como a do escritor jornalista campista José Cândido de Carvalho. A maioria do nosso acervo é proveniente de doações e algumas obras foram compradas. Devido aos avanços tecnológicos, a procura vem diminuindo bastante, mas ainda temos pessoas que procuram raridades, coisa que a internet não proporciona. Com o papel você vê o diferencial da informação, já os dados disponibilizados na internet são mais frios devido à praticidade e rapidez que ela oferece.” Finalizou o Diretor.

CONSEQUÊNCIAS DA COLAAs conseqüências da “espiadinha” podem não ficar em pequenos constrangimentos, como zerar uma prova escolar. Segundo o site Consultor Jurídico, a nova Lei 12.550/2011, publicada em 16 de dezembro, traz punição para "cola eletrônica" com previsão de crime no Código Penal, “fraudes em certames de interesse público”.

A pena é de reclusão, de um a quatro anos, e multa, para quem utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de concurso público, avaliação ou exame públicos, processo seletivo para ingresso no ensino superior, ou exame ou processo seletivo previstos em lei.
Fonte: ururau

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