Para o MPF, os agentes públicos que se excederam e cometeram crimes durante a ditadura agiram como representantes de todo Estado, e não apenas de seu segmento militar. Por isso, eventuais crimes cometidos submetem-se à jurisdição federal, havendo atribuição do MPF.
"Em um regime de exceção, pouco se pode conhecer dos procedimentos adotados para manutenção do poder. Somente com a abertura ao diálogo e à manifestação pública, podemos reaver o contato com o que nos foi negado, e buscar a verdade sobre fatos quase perdidos em um tempo de restrição às liberdades", disse o procurador Eduardo Santos, que integra o Grupo de Trabalho (GT) "Justiça de Transição". O GT, formado por procuradores da República, tem como objetivo promover a investigação e persecução penal das graves violações de direitos humanos cometidas durante a Ditadura Militar no Brasil.
A investigação do MPF está alinhada também à sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que condenou o Brasil por violações de direitos previstos na Convenção Americana de Direitos Humanos nos vários episódios sucedidos no contexto da “Guerrilha do Araguaia”.
A sentença estabeleceu a obrigação do país de investigar quem são os autores materiais e intelectuais do desaparecimento forçado das vítimas, em razão do caráter permanente desses crimes, não aplicando a Lei de Anistia em benefício dos agentes de crime, nem prescrição ou qualquer outra excludente de ilicitude para eximir-se de investigar.
AUTOR DO LIVRO AFIRMA QUE A DISCUSSÃO ESTÁ APENAS NO INÍCIO
O jornalista Rogério Medeiros, um dos autores do livro ‘Memórias de uma Guerra Suja’, que traz relatos sobres às atrocidades praticadas nos anos 70 e 80 contra militantes de esquerda durante o regime militar, concedeu uma entrevista por telefone no dia 04/05 ao jornalista Carlos Alfredo no programa Band Notícias. Para Medeiros, este é o momento para se abrir uma discussão sobre o tema, pois, segundo ele, “ainda existe muitas coisas escondidas e crimes que ninguém sabe”.
“Eu acho que o Cláudio Guerra tem que pagar pelos crimes que cometeu. No livro, ele fala na primeira pessoa... Como ele matou, como fez, enfim, foi ele que apontou a Usina Cambahyba como o local de cremação de corpos de militantes políticos e destacou a estreita relação destes militares com esta usina. Havia muitos conflitos naquela região e houve uma contrapartida que não entrou no livro, que inclusive, a filha do dono da Usina talvez não tenha conhecimento. Pessoas da família dela foram assassinadas e muita gente que o Cláudio Guerra assassinou em favor da família dela”, afirmou.
“Nosso objetivo foi abrir a discussão e novos fatos serão revelados a partir de agora”, explica.
Fonte: ururau
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