O principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, fechou nesta segunda-feira no menor nível do ano, afetado pela piora na situação política da Grécia, o que intensifica o temor de que o país deixe a zona do euro. Ao fim da sessão, a Bovespa encerrou com forte queda de 3,21%, aos 57.539 pontos. Foi também a maior queda diária desde 22 de setembro, quando caiu 4,83%. O volume financeiro registrado no pregão foi de R$ 6,3 bilhões.
A Bovespa acompanhou o pessimismo que reinou nos mercados mundiais, pressionados pela notícia de que os partidos gregos não conseguiram chegar a um acordo para formar um governo de coalizão. "Essa é uma das condições para o país receber uma nova rodada de ajuda da União Europeia. Caso não chegue a um consenso, a Grécia, que já indicou que só consegue se manter até junho, pode não receber os recursos de que precisa para pagar suas dívidas e deve declarar default", afirma Bruno Gonçalves, analista da Wintrade, home broker da Alpes Corretora.
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O risco de contágio de uma eventual saída da Grécia da zona do euro ajuda a trazer inquietação aos mercados. "Pode haver um efeito dominó, com a saída de Espanha e Itália também da zona de moeda comum", afirma, por sua vez, Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros. E da zona do euro veio outra informação que ajudou a jogar pessimismo sobre os mercados: a produção industrial da região recuou em março em comparação com fevereiro, levando a área de moeda única a caminhar para a recessão.
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Na Espanha, o yield dos títulos públicos bateu novo recorde. "A Espanha não está em uma situação tão boa, e já prepara uma nova rodada de estímulos para os bancos, após a intervenção sobre o Bankia", diz Gonçalves, da Wintrade.
Notícias da Alemanha também trouxeram preocupação aos mercados. No fim de semana, o partido da chanceler Angela Merkel perdeu seu principal estado para um grupo de oposição. "É uma preocupação política a mais, por causa dos temores de que uma eventual saída de Merkel reduza a força, dentro da Alemanha, das políticas de austeridade exigidas de outros países europeus", afirma Clodoir Vieira.
Nem a informação de que a China reduziu seus compulsórios, e que em outras circunstâncias impulsionaria as bolsas, contribuiu para frear as quedas nos mercados mundiais. Para a Bovespa, o panorama ainda é negativo, e o Ibovespa deve ficar oscilando entre os 56 mil e os 60 mil pontos no curto prazo. "Enquanto esse cenário não tiver resolvido, enquanto estiver bem conturbado, vai continuar caindo. Se a Grécia anunciar governo, a bolsa pode ter repique de alta. Mantendo o cenário conturbado, pode ir para baixo", afirma Gonçalves.
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Entre as ações do Ibovespa, somente os papéis preferenciais da Ambev conseguiram fechar em alta, de 0,31%. No sentido oposto, lideraram as baixas as ações ordinárias da Brookfield, que caíram 14,66% após a empresa anunciar que terá que rever 80% dos projetos no segundo trimestre.
Os papéis da PDG Realty também caíram forte, 10,38%, enquanto as ações da Rossi Residencial desabaram 9,51% e as da Gol, 7,89%. Os títulos da Marfrig fecharam a lista das maiores baixas do Ibovespa, com queda de 7,30%.
Entre as ações mais negociadas do pregão, as ordinárias da Vale caíram 1,69%, aos R$ 38,44, e as preferenciais tiveram perdas de 1,74%, a R$ 37,34. Os papéis ordinários da Petrobras tiveram baixa de 1,83%, aos R$ 19,82, enquanto os preferenciais caíram 2,22%, para R$ 18,90.
Portal: ig
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