terça-feira, 17 de abril de 2012

Sem ônibus, passageiros pagam até R$ 2,50 por passagem urbana



Em greve desde 0h desta terça-feira (17/04), os rodoviários de Campos querem equiparação do piso salarial com os trabalhadores do setor no município do Rio de Janeiro, onde o salário dos motoristas e cobradores é de R$ 1.618,06. Atualmente os rodoviários de Campos recebem R$ 1.283,40. Eles reivindicam ainda plano de saúde, cesta básica e novos uniformes.

“Queremos a equiparação com os trabalhadores do Rio tanto salarial como as condições de trabalho”, disse Roberto Virgílio, presidente do Sindicato.

Sem os ônibus nas ruas, os usuários precisam ainda mais do transporte alternativo, as vans, nesta terça estão na maior parte lotadas, mas não há muito o que fazer.

Esse foi o caso da doméstica, Vânia Carvalho, 36 anos, que soube a noite da greve, e por conta disso saiu cedo de casa, mas não teve seu objetivo de chegar ao trabalho na hora certa alcançado.

“Entro no meu serviço ás 7h, e por saber da greve desde ontem procurei sair de casa antes do horário de costume. Estou aqui há uma hora praticamente e as vans que preciso pegar, que fazem a Linha Ceasa, não param e quando resolvem parar estão super lotadas que não dá para ninguém subir,” afirmou a trabalhadora, que ficou com a sensação de ter acordado cedo em vão.
 
Já a vendedora, Patrícia Ribeiro, lamentou que a situação esteja acontecendo tão rotineiramente na cidade. “Se não estou enganada esta é segunda ou terceira vez que os funcionários das empresas de ônibus, entram em greve e infelizmente, quem acaba sendo prejudicado somos nós. No meu trabalho, por exemplo, todos os funcionários ganham passagem, mas mesmo assim hoje vou ter que tirar dois reais do meu bolso, porque pego quatro conduções e como nas vans a passagem é R$ 1,50 e não aceita cartão cidadão, vou gastar mais do que nos outros dias,” disse Patrícia.

PASSAGEM DE ATÉ R$ 3,00
Para piorar a situação, vans não cadastradas e veículos de passeio, que fazem as chamadas lotadas, estão praticando um preço além da tarifa cobrada de forma regular.

A dona de casa Luíza da Penha, 29 anos, foi para o Centro numa van, pagando a tarifa normal, mas ao retornar a casa, no Parque Santa Clara, pagou R$ 2,50 para realizar o percurso numa van. “Eu não tinha opção, as vans vieram cheias, não dava pra escolher a que estava cobrando o preço justo, fiquei revoltada, mas vou fazer o que?”, reclama Luiza.

Em Goytacazes, Márcio Barbosa Gama, 31 anos, também não ficou satisfeito em pagar R$ 3,00 para se deslocar para o trabalho. “Cheguei aqui no ponto e vi que estava cheio, logo pensei: outra greve! Esperei o quanto podia, mas já estava atrasado demais para o trabalho e decidi pegar o carro por três Reais mesmo, mas toda vez é assim, as pessoas se aproveitam da greve”, disse o comerciário.

As linhas Campos-São João da Barra, da empresa Campos Tur não estão operando, os motoristas e cobradores da empresa participam da paralisação, por pertencerem ao mesmo sindicato e não conseguiram entrar em acordo para realizarem as atividades. A empresa informou que está em dia com seus funcionários.

FISCALIZAÇÃO
A Empresa Municipal de Transporte (EMUT) informou que está com fiscais atuando em ponto estratégicos para impedir qualquer tipo de irregularidade dos transportes alternativos, como abuso de passagem, super lotação, vans clandestinas e qualquer situação que ponha a vida e os direitos do cidadão em risco.

IMPASSES DA GREVE
A categoria reivindica a equiparação do piso salarial com os trabalhadores do setor no município do Rio de Janeiro, onde o salário dos motoristas e cobradores é de R$ 1.618,06. Atualmente os rodoviários de Campos recebem R$ 1.283,40. Eles reivindicam ainda plano de saúde, cesta básica e uniforme.

Em matéria exibida na Inter TV, o presidente do sindicato dos empresários das empresas de ônibus, Antônio Carlos Tatagiba, disse através de nota que os donos de empresas acreditam que todo trabalhador tem direito a reivindicar melhores salários mas não pode realizar qualquer negociação com a categoria, porque se o problema fosse somente entre empresa e funcionário, o aumento salarial seria de resolvido com o índice de reajuste tarifário.

Em nota enviada ao Site Ururau, o secretário interino de Governo, Suledil Bernardino, informou que a relação entre trabalhador e empregado tem que ser resolvida entre as partes. “O poder público tem um programa social que revitalizou as empresas e aumentou o volume de passageiros, ou seja, esse impasse não pode ser colocado na conta da prefeitura. Desde maio de 2009, quando o programa foi criado, a Prefeitura está contribuindo para a revitalização do transporte coletivo, imprescindível em uma cidade de porte médio”. Finalizou.


Fonte: Ururau

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