Rosângela Moura, mãe de Douglas Moura Monteiro, baleado e morto aos 17 anos, no último sábado (14), em Atafona, pelo agente penitenciário Daniel Menezes Pinheiro, falou da enfermaria do Hospital Ferreira Machado (HFM), onde acompanha o marido, Alessandro Pessanha Monteiro, e o cunhado, Marcos Antônio Pessanha Monteiro, que também foram baleados na confusão.
O pai de Douglas ainda tem a bala alojada no lado direito das costelas, enquanto em Marcos Antônio, atingido no lado esquerdo da mesma região, o projétil vazou. Ambos estão com drenos, que só devem ser retirados na próxima quarta-feira (18), sendo que Alessandro ainda espera avaliação de um cirurgião toráxico para saber se ficará com a bala no corpo ou se passará por uma cirurgia para extraí-la. A conselho dos médicos e da assistente social do HFM, ele ainda não sabe que o filho morreu, notícia que poderia agitá-lo e acabar tirando o dreno.
Rosângela presenciou toda a confusão e revelou a sua versão. Segundo ela, um amigo da família, que soube identificar apenas como Pablo, comprou um jet-ski e depois de receber a habilitação para conduzi-lo, passou na casa da família amiga no sábado (14), que fazia um churrasco, convidando todos para assistí-lo estrear a embarcação na foz do rio Paraíba do Sul, em Atafona.
Chegando todos ao cais localizado nos fundos da Igreja Nossa Senhora da Penha, o agente Daniel estava tirando seu jet ski da água, mas teria demorado a fazê-lo. Pablo, então, se ofereceu para ajudar. Como o procedimento continuou demorando, Alessandro interviu e perguntou ao agente:
— Você vai demorar?
— Por quê? Está com muita pressa? — teria dito Daniel.
— Não estou com pressa não. Para mim, você pode enfiar seu jet ski no (…) — repondeu Alessandro, segundo sua esposa.
— Você disse o quê? — indagou Daniel, enquanto tirava do seu jet ski algo enrolado num pano.
— Disse que você pode enfiar seu jet ski no (…) — teria reafirmado Alessandro.
A partir daí, segundo Rosângela, o agente desenrolou o pano e tirou dele sua arma (uma pistola Taurus, modelo PT, calibre 380), e deu o primeiro tiro, que acertou Alessandro. Vendo o pai tombar com o disparo, Douglas, que já estaria indo embora, depois de iniciada a discussão, saltou da garupa da moto de um amigo, se dirigiu ao agente e acertou-lhe um soco. Sem cair com o golpe, Daniel teria dado um tiro à queima roupa no peito de Douglas, acertando outro depois no abdômen do rapaz.
No meio da confusão, para dispersar as pessoas, o agente teria ainda efetuado vários disparos, para cima e para o chão. Num deles, Marcos Antônio também acabou atingido. No meio da correria, Daniel teria aproveitado para tentar sair com seu carro do local. Pablo ainda tentou impedir a fuga, atravessando seu carro na saída, mas foi obrigado a tirá-lo, depois que o agente teria apontado a arma para seu rosto, mandando que lhe desse passagem.
Depois de fugir do local, Daniel acabaria interceptado pela PM.
SEAP EMITE NOTA OFICIAL“A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) informa que o Inspetor de Segurança e Administração Penitenciária, Daniel Menezes Buexim Pinheiro, 27 anos, estava lotado na Penitenciária Carlos Tinoco da Fonseca, em Campos dos Goytacases e ingressou no sistema penitenciário em 31/01/2008.
Para compor os quadros funcionais da SEAP como Inspetor Penitenciário, o candidato tem que ser aprovado em concurso público, passando obrigatoriamente por avaliações físicas e psicológicas, além frequentar aulas práticas e teóricas sobre legislação, regras de segurança e manuseio de armas de fogo.
Quanto a autorização para o porte de arma, o Art. 6º, inciso VII, do Estatuto do desarmamento autoriza o porte de arma de fogo para o Inspetor Penitenciário, mediante apresentação de documentos à Polícia Federal, que aprovará ou não a solicitação do servidor. A emissão de portes de arma e o cadastro das armas de fogo são feitos pela mesma. O Sistema Nacional de Armas (SINARM ) é responsável por catalogar e manter em seu banco de dados todas estas informações referentes aos proprietários de armas, tipos de armas e pessoas com porte autorizado.
O órgão competente para registrar a arma de fogo é a Polícia Federal, através de suas unidades policiais instaladas em todos os Estados.
A capacidade técnica para o manuseio de arma de fogo será adquirida através de cursos especializados de tiro e de manuseio de arma de fogo. A autorização para solicitação de porte de arma junto à Polícia Federal está condicionada á aprovação nos cursos especializados de tiro e manuseio em armas de fogo, ministrados no Centro de Instrução Especializada (Ciesp) da Seap. A aptidão psicológica será avaliada através de exames psicotécnicos, realizados por Psicólogos da SEAP, na Escola de Gestão Penitenciária. No primeiro caso o interessado apresentará o certificado de conclusão do curso (devidamente registrado na Polícia Federal), e com bom aproveitamento. No segundo apresentará o laudo expedido pelo psicólogo (obrigatoriamente tem que ser cadastrado pela Polícia Federal) que o avaliou.
A SEAP informa ainda que o servidor está custodiado Penitenciária Pedrolino Werlling (Bangu 8), no Complexo de Gericinó.
A SEAP também informa que foi instaurado um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), para apurar as circunstâncias do fato, podendo acarretar na de demissão daquele servidor.”
A SEAP também informa que foi instaurado um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), para apurar as circunstâncias do fato, podendo acarretar na de demissão daquele servidor.”
**Com Informações Blog Opiniões

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