sábado, 3 de dezembro de 2011

Ministério Público entra com recurso contra absolvição de viúva da Mega-Sena


A assessoria de imprensa do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou às 13h30 deste sábado (3) que a promotora Priscilla Naegelli Xavier entrou com recurso após o final do julgamento que inocentou Adriana Almeida de ser a mandante do assassinato de Renné Senna, morto a tiros dois anos após ganhar um prêmio de R$ 52 milhões na Mega-Sena, em 2005.

A promotora contestou o argumento de que as provas não eram sólidas o bastante para condenar a viúva do milionário e declarou que não tem dúvidas de que Adriana é a responsável pela morte do marido Renné Senna.

- Estou convencida que a Adriana é a mandante do crime, mas os jurados não ficaram absolutamente convencidos. Respeito a decisão deles, mas discordo. Vou me empenhar para que o próximo julgamento seja o mais rápido possível.
Os outros três réus do processo, a personal trainer Janaina Oliveira e os policiais militares Marco Antônio Vicente e Ronaldo Amaral, foram absolvidos. Segundo a promotoria, não havia provas incontestáveis contra eles.

Filha quer anular julgamento

O advogado de Renata Senna, filha do milionário disse neste sábado que vai tentar anular o julgamento que absolveu Adriana Almeida. Segundo Marcus Rangoni, a defesa apresentou contrapontos que confundiram o Tribunal do Júri.
- Ela não está absolvida não. O MP [Ministério Público] entrou com recurso no final da sessão. Ela foi absolvida pelo Tribunal do Júri, mas a gente entende que os jurados se confundiram. O advogado enrolou os jurados com questões do cível. Disse que a Renata poderia não ser filha do Renné, o que é um absurdo. Ela fez exame de DNA, está nos autos. A gente quer um novo julgamento.
Segundo Rangoni, Renata está em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, com a família. Ela prefere não se expor por questões de segurança. O advogado disse que Renata está revoltada com a absolvição de Adriana.
De acordo com ele, a análise do Ministério Público sobre a possibilidade de um novo julgamento deve demorar aproximadamente três meses.



Assista o video:


Herança
Com a decisão deste sábado, a viúva da Mega-Sena ganhou novas chances de herdar 50% da fortuna estimada hoje em R$ 100 milhões, segundo cálculos da Promotoria.
Caso fosse condenada, ela seria considerada indigna do acesso à herança em processo de disputa com a filha de Renné, Renata Senna, que corre em vara cível. Em testamento de Renné, Renata teria direito à metade do dinheiro, enquanto Adriana receberia a outra metade. Entretanto, a filha de Renné luta na Justiça para ficar com toda a herança. Originalmente, o prêmio, sorteado em 2005, era de R$ 52 milhões.
Adriana recebeu de presente de Renné metade de uma fazenda na mesma cidade avaliada em R$ 9 milhões e um carro. Com o dinheiro da vítima, ela também comprou uma cobertura em Arraial do Cabo, à época avaliada em R$ 300 mil.
Tanto o dinheiro do prêmio da Mega-Sena como imóveis vinculados à herança estão bloqueados em razão da disputa judicial. Os recursos estão investidos em poupança.
Julgamento longo e cheio de discordâncias
O julgamento, que durou cinco dias, foi marcado por algumas contradições de Adriana. O principal ponto, e que foi insistentemente repetido pela promotora Priscila Naegele, se refere às ligações telefônicas entre a viúva e Anderson Souza no dia do assassinato, em 7 de janeiro de 2007.
Durante o depoimento, na quinta-feira (1º), Adriana contou que algumas das ligações interceptadas foram feitas por seu pai, que chegou a Rio Bonito instantes depois da morte de Renné. A versão, porém, foi negada pela mãe e irmã da acusada.
No debate desta sexta-feira (2), a defesa de Adriana Almeida afirmou que o Ministério Público não apresentou provas que mostrassem que ela fosse a mandante do assassinato.
Assim como a ex-cabeleireira já havia feito na quinta, o advogado Jackson Costa apontou como a responsável pelo crime Renata Senna, filha do milionário, dizendo que ela seria uma pessoa com grande motivação e interesse no crime. Segundo ele, Renné havia suspeitado de que não seria pai de Renata, colocando em xeque a paternidade.
- A morte de Renné em muito ajuda a não investigar a paternidade. Além disso, se Adriana for condenada, Renata não aceita voltar para o primeiro testamento. Ela quer ficar com todo o dinheiro.
Jackson Costa também apresentou um documento no qual Renné teria contratado uma firma por R$ 380 mil para verificar a paternidade. No entanto, o documento não foi assinado pelo milionário. O assistente de acusação Marcu Rongoni, advogado de Renata, interferiu na explanação de Costa e disse que qualquer um - no caso Adriana - poderia ter recebido ou procurado tal empresa.
O crime
Renné Senna foi morto a tiros na manhã de 7 de janeiro de 2007, no Bar do Penco, perto de sua propriedade, por dois homens encapuzados que estavam numa moto. Ele estava sem os seguranças. No dia do enterro, começaram as primeiras suspeitas da família do ex-lavrador contra a viúva, que tinha passado o Réveillon com um amante na região dos Lagos, no Rio.
Renné Senna ficou milionário após ganhar um prêmio de R$ 52 milhões na Mega-Sena. Segundo a promotoria, em valores atuais, o prêmio chegaria a R$ 100 milhões. A defesa de Adriana, no entanto, diz que o valor chegaria a R$ 70 milhões. Os bens foram bloqueados pela Justiça após o assassinato. Entre os imóveis em nome dele estão: uma fazenda em Rio Bonito, uma casa no Recreio dos Bandeirantes, área nobre da zona oeste, e uma cobertura em Arraial do Cabo, região dos lagos, que também teria sido comprada com o dinheiro. Há ainda uma poupança no valor de R$ 44 milhões.

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