sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Super Porto do Açu: Ternium está disposta a pagar R$ 5,2 bi para entrar na Usiminas

A possível entrada da argentina Ternium - braço siderúrgico do grupo ítalo-argentino Techint - na Usiminas não foi bem recebido pelo mercado, que está descrente quanto ao fechamento do negócio, por causa do preço oferecido - R$ 40 por ação -, como reportou o relatório do banco Barclay"s. A Techint fez a oferta pela participação da Camargo Corrêa e Votorantim na siderúrgica mineira. Na Bovespa, depois de terem subido pela manhã, as ações ON da Usiminas recuam 2,92% no fim do pregão, cotadas a R$ 22,57.

Fontes da indústria do aço ouvidas pelo Valor acreditam, porém, que a transação pode ser boa para a Ternium e não faria mal à Usiminas, que deixa de ter dois sócios - no caso a Votorantim e a Camargo Corrêa - pouco interessados em se manter no nicho da indústria do aço. Em contrapartida ganha um parceiro que tem presença há 40 anos no setor e muito interessado em entrar no mercado brasileiro. O grupo tem três unidades na América do Sul: duas no México e uma na Argentina. E uma nos Estados Unidos.
A critica do mercado é quanto ao valor de R$ 40 por ação pelo parcela de 26% dos papéis ON correspondentes a participações de 13% da Votorantim e 13% da Camargo Corrêa. No total, o grupo ítalo-argentino estaria disposto a pagar R$ 5,2 bilhões para entrar na usina controlada pela Nippon Steel. Esse seria o preço do investimento numa nova usina a ser construída no Porto Açú, de Eike Batista, mas sobre a qual a Ternium ainda não bateu o martelo.

Fontes do setor siderúrgico acreditam que a família Rocca, dona do grupo Techint, tem suas razões para fazer tal oferta, aparentemente superelevada. Como profundo conhecedor da indústria do aço, o grupo Techint parte do princípio de que o setor siderúrgico está muito barato, por conta do ciclo ruim que vem atravessando. Mas no cenário que desenham conseguem ver a recuperação futura.

Para um interlocutor que conhece bem as duas partes, o grupo ítalo-argentino está com caixa líquido e precisa fazer um movimento de investimento ou aquisição para ampliar seu suprimento de placas de aço. Hoje, a Ternium tem déficit de 3,7 milhões de toneladas do semiacabado. Este volume é necessário para abastecer os laminadores de sua usina mexicana.

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