quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Nem da Rocinha presta depoimento de mais de seis horas à Corregedoria

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Nem tentou fugir escondido no porta-malas de um Corolla

O traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, prestou depoimento por mais de seis horas a delegados da CGU (Corregedoria Geral Unificada), que investigam a conduta de policiais civis e militares do Rio de Janeiro. O teor do depoimento não foi revelado.
Os agentes da CGU foram até o Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio, na última segunda-feira (14), para ouvir o traficante Nem, que está preso em Bangu 1, unidade de segurança máxima.
O objetivo dos policiais é saber do traficante quem são os policiais a quem o tráfico na Rocinha pagava propinas para que não fossem realizadas operações na favela e para ser informado sobre a realização de operações.
A CGU pretende descobrir também se há policiais envolvidos nas compras de armas e drogas pela quadrilha que controlava a favela da Rocinha e quais eram os valores pagos por Nem.
Informalmente, Nem já havia falado a policiais federais que metade do que ele lucrava com a venda de drogas servia para pagar propina a policiais. De acordo com estimativa da Polícia Civil, o tráfico na Rocinha movimentava cerca de R$ 100 milhões por ano. Ele informou à PF o nome de alguns dos policiais - civis e militares - suspeitos de pegar o chamado "arrego", assim como as delegacias e batalhões em que eles atuam.
Situações de extorsão
Nem também relatou, de forma detalhada, algumas situações de extorsão por parte de policiais. Segundo o traficante, ao menos duas vezes o caixa mensal de venda de drogas fechou sem lucro em razão do pagamento de propinas. Nem contou no depoimento que alguns policiais iam à Rocinha mais de uma vez no mês para recolher o "arrego".
O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse na tarde da última sexta-feira (11) que ainda não teve acesso ao depoimento.
- Não tive acesso ao depoimento, mas faço votos que essa pessoa [Nem] revele detalhes do funcionamento do tráfico e da conduta de agentes públicos.
Beltrame disse ainda que a Corregedoria da Polícia Civil deverá ouvir o traficante Nem, que está preso em Bangu 1,  para tentar elucidar o caso.
- Qualquer informação que ele passar poderá nos ajudar a projetar uma investigação onde a gente tenha resultados práticos.
Em conversa informal com agentes federais, Nem disse ter orientado traficantes da comunidade a não reagirem quando a favela for tomada para início da implantação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Nem disse ainda que a maioria dos criminosos já deixou a comunidade, mas que muitos continuam no local.

Após ser preso, na madrugada desta quinta-feira (10), Nem passou a noite na sala do delegado da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes), na sede da superintendência da PF, na zona portuária. Ele recusou a comida oferecida pelos policiais.
Na sede da PF, Nem ligou para a mãe e mandou um recado aos filhos para que não faltassem à escola. Entretanto, a movimentação de policiais na favela desde o início desta semana fez com que quase 5.000 alunos de escolas públicas ficassem sem aulas.
Ao lado de Nem, outros 11 criminosos, entres policiais civis, PMs e comparsas do traficante, foram levados para o Complexo Penitenciário de Bangu. Um policial militar reformado, apontado como segurança do traficante, foi levado para o BEP (Batalhão Especial Prisional), em Benfica, zona norte.
De lá, ele deve seguir para um presídio federal de segurança máxima, conforme anunciou o governador Sérgio Cabral (PMDB).
Beltrame: "ainda há muito a ser feito"
O secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou a prisão do traficante Nem como um grande passo no combate ao crime organizado, mas ressaltou que ainda há muito que fazer.
- Nós demos um passo importante, mas ainda há muito a ser feito. Prender pessoas, apreender armas, drogas e munição é importante, mas precisamos acabar com o território, o porto seguro do comando paralelo. Essa é a grande vitória, porque a simples ameaça da perda de território onde o tráfico dominava vulnerabilizou essas pessoas. Eles saíram do seu reduto e foram presos. A quebra desse paradigma é o nosso grande trunfo.
Os policiais dirigiam quatro carros. A prisão aconteceu perto do Shopping da Gávea e em frente ao jóquei. Com o grupo, foram apreendidos os quatro carros utilizados pelos policiais, três fuzis, dez pistolas e joias de ouro.
Assista aos vídeos:
Créditos: R7.com

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