Donos de restaurantes adotam estratégias para evitar prejuízos
Carlyle Jr. / R7

Pescadores baixaram o preço do pescado para evitar prejuízos
Apesar de a mancha de óleo na bacia de Campos estar a 120 km de distância do litoral, pescadores do norte do Estado do Rio sentem de perto os "efeitos psicológicos" do vazamento de petróleo causado pela empresa americana Chevron há 20 dias. Em visita ao distrito de Atafona, no município de São João da Barra, pescadores e comerciantes que reclamaram que moradores e turistas não querem consumir os peixes da região, temendo uma possível contaminação (veja vídeo abaixo).
No entanto, tal hipótese foi, a princípio, descartada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais).
Dono de um restaurante em que peixes e frutos do mar são os carros-chefe do cardápio, o comerciante Renato Duarte diz que os clientes estão trocando o prato principal por frango ou carne. Ele conta que, desconfiados, os frequentadores sempre perguntam a origem do pescado.
- Qualquer suspeita de poluição ou acidente no mar causa prejuízos imediatos para os pescadores e comerciantes. Por causa do vazamento, as pessoas sempre perguntam se o peixe é da região. Na dúvida, a clientela opta pela carne ou pelo frango.
Duarte, que também é pescador, diz que a procura por pratos com peixes caiu cerca de 40% nas últimas duas semanas. Para evitar prejuízos, o comerciante Nelson Campos investe em promoções e "na lábia" dos garçons para convencer os clientes.
- Eu tenho um estoque de quase 5 t de peixe compradas antes do vazamento. Mas as pessoas não querem arriscar. E, para não perder a clientela que vem aqui em busca de peixe, eu ofereço o pescado de água doce.
Preço do peixe cai
No mercado de peixes de Atafona, a situação não é diferente. Por causa do vazamento, os moradores perguntam se o pescado está sujo de óleo e com mau cheiro. A dona de casa Luíza Faustino já trocou o dourado e o cação por peixes de água doce.
- Prefiro os peixes do rio Paraíba do Sul, que está bem pertinho daqui e estamos vendo que está tudo limpo e normal.
Para não encalhar o pescado, a saída foi baixar os preços. De acordo com o presidente da colônia de pesca de São João da Barra, Willian Pereira, algumas espécies tiveram o preço do quilo reduzido pela metade.
- O quilo do dourado, pescada, atum e cação estavam entre R$ 8 e R$ 10 antes do vazamento. Nos últimos dez dias, o preço foi baixando, baixando e agora está entre R$ 6 e R$ 3,50. O preço do peixe cai, mas a nossa despesa não. O gelo, o diesel, tudo continua com os mesmos valores.
Indenização
Em Macaé, o subsecretário de Pesca do município, José Carlos Bento, estima que 1.200 pescadores devem ser prejudicados pelas consequências do acidente na bacia de Campos.
- Os pescadores que atuam longe da costa vão ser afetados pelo vazamento. Além da possibilidade de contaminação dos peixes, eles vão ter que descobrir novas áreas para trabalhar. Os peixes que não morrerem com a poluição migrarão para outros locais.
O presidente da Fiperj (Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro), Marco Botelho, diz que, embora a contaminação dos peixes seja remota, o órgão estuda a possibilidade de cobrar uma indenização da Chevron.
- Percorremos todos os municípios que integram a bacia de Campos mostrando nossa preocupação com esse incidente. Temos informação que o óleo já atingiu a cadeia alimentar e, mesmo que pouco provável, ainda existe a possibilidade de um impacto na pesca da região.
De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a mancha de óleo continua se deslocando para longe da costa e estava com cerca de 2 km² de área na última sexta-feira (25).

Em São João da Barra, procura por peixes diminuiu depois do vazamento de óleo (Foto: Carlyle Jr. / R7)
Fonte: R7.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário