
Em 2010, quando aceitou o desafio de disputar as eleições para a Presidência, Dilma Rousseff passou por uma verdadeira transformação visual: mudou o cabelo, a maquiagem e o guarda-roupa. Um ano depois de ser eleita, e dez meses após assumir o poder, a presidente deixa claro que o visual repaginado veio para ficar, mas que, diferentemente da colega argentina Cristina Kirchner, a obsessão pela moda não será sua marca registrada.
Ao assumir o comando do país, Dilma montou um guarda-roupa cheio de peças versáteis e que podem ser repetidas no dia a dia - as chamadas roupas coringas.
O truque é velho conhecido das mulheres, mas quantas poderiam imaginar que até a presidente da República usa o artifício para não errar e perder tempo - como qualquer uma de nós? Sim, Dilma tem suas peças preferidas e não tem vergonha de repeti-las.
Para a consultora de moda e pesquisadora de comportamento Andreia Mirón, professora da Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo, a repetição no figurino pode até não ter sido planejada pela presidente, mas a mensagem passada com isso é direta: “sou como vocês”.
- As roupas são os sinais claros do discurso que ela prega: ela é uma mulher discreta, é uma mulher que não tem essa necessidade de se expor e, justamente por isso, a roupa para ela deve ficar em segundo plano. [...] Para as pessoas, isso passa a clara mensagem de que, independentemente de ela ser presidente, ela é uma mulher que quer ter uma vida normal.
Para deixar o dia a dia ainda mais prático, além de incluir peças-chave no guarda-roupa, a presidente fez aulas de automaquiagem com o maquiador e cabeleireiro Celso Kamura, que ensinou alguns truques para usar no cotidiano. Ainda assim, o hair stylist ainda a acompanha em ocasiões especiais - quando Dilma mostra seu lado mais feminino, optando por vestidos e sapatos de salto.
Seriedade
A pesquisadora de moda observa que o estilo discreto adotado por Dilma demonstra que, embora reconheça a importância de vestir-se com elegância, ela quer ser notada por outros aspectos, como a competência. Isso é ainda mais importante considerando que a política ainda é um meio machista.
- A maneira como ela conduz a imagem dela é muito correta, é uma maneira dela saber se impor e saber se fazer respeitar.
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